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Professor bom é professor nativo?
Meu querido leitor!
Hoje vi um anúncio no Youtube de um curso online que literalmente destroi nós, brasileiros, professores de língua inglesa. Na verdade o anúncio destroi cursos em escolas no geral, de extremo mau gosto.
Veja o comercial:
Como brasileiro, professor de inglês e espanhol há 20 anos, fiquei indignado com tal descaso e vou compartilhar o texto do amigo Vinicius Nobre, presidente da Braz-Tesol, organização que tem o intuito de promover o ensino de língua inglesa no Brasil.
Certamente você, meu querido leitor, teve e tem um ótimo professor de inglês, independente de onde ele vem. Se for esse o caso, todos os brasileiros estariam capacitados para ensinar português.
Vinicius Nobre diz:
Como presidente da maior Associação de professores de inglês do Brasil, eu sinto a incontrolável necessidade de me posicionar e expressar meu desapontamento e choque em relação ao comercial que está sendo veiculado em rede nacional promovendo um curso de inglês online.
Eu NÃO sou um falante nativo da língua inglesa, eu não tenho longos cabelos loiros, não moro na California e não visto uma camiseta justa para ensinar meus alunos. Na verdade, eu NUNCA tive um professor de inglês “nativo”. Eu nunca sequer morei em um país falante da língua inglesa.
Eu simplesmente estudei inglês no meu país em desenvolvimento e depois cursei quatro anos de linguística, literatura, aquisição de idiomas estrangeiros, morfologia, pronúncia, sintaxe, educação, pedagogia, métodos e abordagens. Eu simplesmente dediquei 16 anos da minha vida ao desenvolvimento pessoal e profissional dos meus milhares de alunos. Nunca exibi meu passaporte ou minha cidade-natal, porque eu estava ocupado demais me preocupando com as necessidades comunicativa e afetivas dos meus alunos. Eu NÃO sou um falante nativo de inglês; portanto – de acordo com esse comercial – não me qualifico para ensinar. Provavelmente me qualifico apenas para ser uma imitação grotesca e irresponsável de um professor.
Assim como eu, milhares de educadores esforçados, talentosos, comprometidos, apaixonados e desvalorizados (do Brasil ou de qualquer outro país não falante de inglês) são definidos em 30 segundos de uma desesperada e inaceitável tentativa de seduzir alunos. Eu conheci professores fantásticos, independente de suas nacionalidades e muitos que inclusive eram “falantes nativos de inglês”. Os melhores educadores, no entanto, sempre tiveram a dignidade de reconhecer e respeitar as qualidades de um colega “não-nativo”.
O ensino de línguas estrangeiras desenvolveu-se tremendamente para garantir a justiça e o respeito que todos os profissionais sérios da área merecem (nativos ou não). Pelo menos entre nós mesmos. Se alunos ainda insistem em dizer que um professor “nativo” é melhor, pelo menos temos o conforto de saber que dentro da nossa profissão encontramos o reconhecimento que profissionais comprometidos e qualificados precisam ter. É triste, no entanto, ser ridicularizado por um centro (que alega ser) de ensino.
Como presidente do BRAZ-TESOL, como um falante “não-nativo” do inglês, como um admirador de profissionais do ensino, independente da sua nacionalidade, eu me ressinto por ser transformado em um piada tão irresponsável. Mas quem sou eu para ousar falar qualquer coisa sobre o ensino de inglês. Não sou a Jenny da California – o maior exemplo de educadora de inglês como língua estrangeira.
Dica de aprendizado: Trabalhando com Diálogos
Olha, vou desabafar um negócio aqui.
Na minha adolescência estive exatamente 02 anos em escolas de idiomas, aos 14 e aos 16 anos. O resto corri atrás sozinho mesmo. Naquela época havia um monopólio das escolas de não disponibilizarem o áudio dos cursos para os alunos, pois as fitas k7 custavam muito caro e tinha professor picareta que xerocava livro e dava aula em casa usando o material da escola e bla bla bla.
Enfim, meu contato com o inglês real era com os filmes em VHS, colocando fita crepe na legenda pra poder treinar a audição, esse tipo de coisa (pensa que foi fácil?).
Hoje em dia a maioria dos livros didáticos vêm com pelos menos alguns diálogos em CD/CD-Rom e, sem ser hipócrita, também podemos conseguir os áudios, livros, workbooks, etc., em alguns sites especializados em downloads de materiais para ensino e aprendizado de idiomas.
Eis o ponto que eu quero chegar: os diálogos dos livros! Ah, se eu tivesse tido esse tipo de material na minha época!
Agora você, aluno de curso regular em escola de idiomas que têm o material extra no CD/CD-Rom, pode melhorar ainda mais seu inglês sem gastar um centavo utilizando algumas técnicas.
Suponhamos que você viu na aula hoje aquele diálogo entre o Jack e a Mary que estão num supermercado e não se veem há muito tempo, um pergunta da vida do outro, etc. Seu professor trabalhou o diálogo com vocês na sala de aula e tal, fez pre-listening activities, trabalhou vocabulário, pronúncia e fez até um pequeno bate-papo depois.
Agora minha pergunta é: você se sente capaz de dizer que aprendeu 100% do diálogo? Você saberia ouvir e transcrevê-lo corretamente?
Aqui vão algumas dicas para revisar os diálogos em casa:
Transcrição. Ouça o diálogo novamente, pause e transcreva-o. Isso melhorará sua escrita, audição e também sua pronúncia.
Tradução. Traduza o diálogo para o português, dá uma voltinha, vai comer alguma coisa e depois volta e traduz de volta para o inglês. Essa prática melhora horrores seu vocabulário, sua estrutura (gramática) e sua escrita. Para conferir, você pode ouvir o diálogo novamente, sem escrever nada, e depois tentar lembrar onde estão os erros.
Reprodução. Escreva as falas do diálogo colocando somente os pronomes, substantivos e verbos. Veja um exemplo:
Jack: I didn’t know you had gotten married! –> I / not know / you / get married !
Pronúncia. Ouça o diálogo bastantes vezes. Sério, muitas vezes. Não pense que dominou ouvindo duas ou três vezes. No Windows Media Player você consegue diminuir a velocidade do áudio. Preste atenção aos sons que você acha complicado, as ligações entre as palavras, a entonação, etc. Depois de estar acostumado com o diálogo, desafie-se a fazer o papel de um dos locutores ao responder na mesma velocidade. É claro que no início você vai ter dificuldade, mas tem que continuar tentando.
Repetição. Tente memorizar as falas do diálogo. Isso mesmo, use a look-up technique (Interchange, Cambridge): leia a frase, memorize-a, levante a cabeça e fale. Pense no sentido da frase que você está falando pois esta técnica é extremamente útil para a fluência.
Escrita. Se você já estiver num nível intermediário pode reescrever o diálogo no Reported Speech (Discurso Indireto) ou até mesmo uma pequena narração contando a história do que aconteceu.
É fato: as escolas de idiomas têm programas para cumprir por várias razões e é você quem tem que correr atrás do prejuízo, lembra disso porque o interesse é só seu. Tenho certeza de que você vem ao meu blog pois quer sair do nível que está e melhorar seu inglês, right? Então, deixa seu comentário aí em baixo e conta pra mim e pros leitores do blog o que você faz pra estudar em casa, tenho certeza de que haverá dicas incríveis de gente muito competente.
Um abraço grande!

